Uma parte importante da história do Carnaval de Salvador acaba de ganhar um novo espaço de preservação. Alan Nery doou ao acervo do Teatro Castro Alves a coleção de figurinos utilizados por ele e pelo irmão, Duzinho Nery, durante suas trajetórias como Reis Momo.
A iniciativa transforma os trajes, que durante anos foram preservados pela família, em registros da memória cultural da Bahia. As peças passam agora a integrar o acervo de uma das principais instituições culturais do estado, garantindo a conservação de uma história construída ao longo de mais de uma década de Carnaval.
Para Alan, a decisão de entregar os figurinos ao TCA vai além da preservação de roupas e adereços. Cada peça reúne lembranças de concursos, carnavais, pesquisas, preparações e momentos vividos ao lado do irmão.
Figurinos de Reis Momo são considerados parte da memória do Carnaval
Ao longo dos anos, Alan e Duzinho reuniram uma coleção de figurinos marcada pela riqueza de detalhes. Os trajes foram pensados para representar diferentes conceitos e referências culturais, além de transmitir a grandiosidade associada à figura do Rei Momo.
Entre os profissionais responsáveis pela criação das peças estão Luiz Cláudio de Vasconcelos, Cris Oliveira, Atelier Fábulos e Ito Gomes. Os trabalhos reúnem tecidos, bordados, cores, volumes e adereços produzidos especialmente para as apresentações e concursos.
Segundo Alan, cada figurino representa uma etapa de sua vida e da trajetória compartilhada com Duzinho.
“Esses figurinos foram feitos com muito amor, carinho, pesquisa, dedicação e profissionalismo. Cada um representa uma fase das nossas vidas e guarda lembranças que não têm preço. Saber que eles estarão no acervo do Teatro Castro Alves, sendo preservados e tratados com o cuidado que merecem, me deixa muito feliz”, afirma.
A escolha do Teatro Castro Alves para receber a coleção tem um significado especial para Alan, especialmente no contexto da reabertura do espaço cultural.
Para ele, a doação permite que uma história que antes estava restrita ao ambiente familiar passe a fazer parte de um acervo institucional e possa ser conhecida pelas próximas gerações.
O gesto também representa uma homenagem a Duzinho Nery, cuja trajetória esteve ligada à cultura, ao teatro e às manifestações populares.
“Existe Duzinho em cada uma dessas peças. Fazer essa doação também é uma forma de cuidar da memória dele. A nossa história como Reis Momo foi construída juntos, com muita dedicação. Eu queria que esses figurinos continuassem vivos, não simplesmente guardados em casa. Quero que eles permaneçam como parte da memória do Carnaval e da cultura da Bahia”, destaca Alan.
Alan Nery relembra trajetória como Rei Momo de Salvador
Alan Nery foi Rei Momo de Salvador em 2015, 2017, 2023 e 2024. Já Duzinho Nery, que faleceu em 2021, foi Rei Momo de Salvador em 2016.
Para Alan, ocupar o posto representou uma responsabilidade que ultrapassava a entrega de uma coroa e de uma chave simbólica da cidade.
“Ser Rei Momo de Salvador foi um presente que a vida e o Carnaval me deram. Sempre levei essa responsabilidade muito a sério. Houve pesquisa, dedicação, preparação e muito capricho em cada participação. O Rei Momo faz parte da história do Carnaval, e essa história também passou a fazer parte de quem nós somos”, relembra.
Com a transferência dos figurinos para o acervo do TCA, Alan encerra um ciclo de preservação pessoal e inicia uma nova etapa de preservação institucional da memória do Carnaval baiano.
“Estou muito emocionado. Quando olho para esses figurinos, consigo lembrar de cada Carnaval, das pessoas que trabalharam conosco, da nossa família, das vitórias, dos concursos e, principalmente, do meu irmão. Agora eles seguem para um lugar onde poderão continuar contando essa história. É uma maneira de dizer que tudo aquilo que vivemos valeu a pena e merece ser preservado.”
Andrea Velame nasceu com uma premissa: fazer a diferença. Desde nova, seu desejo era realizar, realizar grande, realizar o que muitos acham até impossível. À frente do tempo ela cursou Administração de Empresas e se especializou em Marketing. Sem medo, Andrea tem uma capacidade de se reinventar e se readequar às adversidades da vida e assim transitou por diversas áreas. Atuou como designer de interiores, foi lojista, restaurateur, teve indústria moveleira, fez desenvolvimento de produtos, até retornar para onde tudo começou: comunicação e marketing.