Salvador conta com um patrimônio histórico e cultural que vai muito além de igrejas, casarões e monumentos. O conjunto protegido da capital baiana reúne obras de arte, sítios históricos, terreiros de religiões de matriz africana e tradições populares que ajudam a contar a história e a formação cultural da cidade.

Entre os bens que ajudam a representar diferentes momentos da trajetória de Salvador, estão os painéis do artista Carybé, a Pedra de Xangô, a Festa de Yemanjá, a capoeira, o samba junino e o Ofício das Baianas de Acarajé.

Um dos patrimônios protegidos está no Porto da Barra, aos pés do Forte São Diogo. O Marco Comemorativo da Fundação da Cidade é uma coluna de pedra de lioz com seis metros de altura, instalada em um local associado à chegada dos primeiros portugueses a Salvador.

O monumento foi tombado pela Prefeitura em 2020 e passou a integrar oficialmente o conjunto de bens protegidos pelo município.

No mesmo processo, 19 painéis de Carybé espalhados por diferentes pontos da cidade também foram protegidos. Entre eles está A Colonização do Brasil, uma obra de 13 metros de comprimento feita em concreto armado e instalada na fachada do Edifício Bráulio Xavier, entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile.

Outras obras do artista fazem parte do patrimônio cultural de Salvador, como Orixás, no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia, no Terreiro de Jesus, e Panorama de Salvador, localizado na Escola Classe II, no bairro Pero Vaz.

Localizada em Cajazeiras, a Pedra de Xangô também é um dos símbolos do patrimônio cultural de Salvador. Com cerca de oito metros de altura, o monumento natural é considerado um local sagrado pelas religiões de matriz africana.

A Pedra de Xangô integra uma área reconhecida como sítio histórico do antigo Quilombo Buraco do Tatu. De acordo com a Fundação Gregório de Mattos, a região também teve relação com povos indígenas tupinambás e, posteriormente, serviu como local de passagem e refúgio para negros que fugiam da escravidão.

A lista de bens materiais protegidos pelo município inclui ainda a Estátua de Jesus (O Salvador) e o morro onde ela está localizada, a Igreja da Ascensão do Senhor, o Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe e o Terreiro Ilê Axé Kalè Bokùn.

Tradições também fazem parte do patrimônio de Salvador

O patrimônio cultural de Salvador não está apenas nos espaços físicos. A cidade também preserva festas, manifestações populares, conhecimentos e atividades tradicionais transmitidos entre gerações.

Um dos exemplos é o samba junino, movimento que surgiu nas periferias de Salvador na década de 1970 e tem ligação com as tradições dos terreiros de candomblé e as festas juninas.

Também estão entre os patrimônios imateriais da cidade a Festa de Yemanjá do Rio Vermelho, o Ofício dos Mestres Carpinteiros Navais, o Ofício das Baianas de Acarajé e a capoeira.

Essas manifestações são fundamentais para manter vivos os costumes, saberes e formas de expressão que fazem parte da identidade cultural de Salvador. Ao preservar esse patrimônio, a cidade mantém viva sua história para as próximas gerações, valorizando não apenas monumentos e construções, mas também memórias, tradições e práticas culturais que ajudam a contar a história e a diversidade da capital baiana.