Salvador acaba de ganhar uma nova iniciativa voltada à preservação do patrimônio histórico e arquitetônico da cidade. A Prefeitura inaugurou a Escola de Ofícios Tradicionais de Salvador, instalada na histórica Casa das Sete Mortes, na Rua do Passo, no Pelourinho. A proposta é oferecer formação gratuita para pessoas interessadas em trabalhar na recuperação, conservação e restauração de imóveis históricos da capital baiana.
Coordenada pela Fundação Mário Leal Ferreira, a escola terá funcionamento permanente e deverá ampliar gradualmente a oferta de cursos relacionados aos tradicionais ofícios utilizados em obras de preservação. A primeira formação será em pintura tradicional com pigmentos naturais.
A primeira turma terá 30 alunos, com aulas previstas entre 15 de setembro e 17 de dezembro. Não é necessário ter experiência anterior na área. Para participar, é preciso ter 18 anos ou mais e saber ler e escrever. A preferência é por moradores do Centro Histórico de Salvador, mas pessoas de outras regiões da cidade também podem participar.
A expectativa é que, nos próximos semestres, a Escola de Ofícios Tradicionais de Salvador passe a oferecer outras formações, incluindo cursos de alvenaria, argamassas, carpintaria e ferraria. As informações sobre novas turmas deverão ser divulgadas pelos canais oficiais da gestão municipal.
O projeto tem como referência a Escola de Ofícios de Mariana, em Minas Gerais, ligada ao Instituto Pedra, que presta consultoria técnica para a implantação da unidade em Salvador.
De acordo com o prefeito Bruno Reis, a escola atende a uma demanda crescente da capital baiana. Salvador possui um dos mais importantes conjuntos de arquitetura histórica do país e, segundo a Prefeitura, a formação de profissionais especializados poderá contribuir para acelerar obras de recuperação de casarões e outros imóveis do Centro Histórico.
A ideia é que os estudantes formados possam, futuramente, ser aproveitados em intervenções de conservação e restauro realizadas em Salvador. A Prefeitura também prevê aumento na demanda por profissionais qualificados a partir de novos investimentos no Centro Histórico.
Além das técnicas tradicionais de restauração, a formação deverá abordar conteúdos relacionados à importância e à valorização do patrimônio histórico, assim como empreendedorismo e mercado de trabalho.
A presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Tânia Scofield, destaca que a intenção é preparar os alunos não apenas para atuar em obras de conservação, mas também para ampliar suas possibilidades profissionais e de geração de renda.
“Nós temos aqui em Salvador um dos maiores acervos da arquitetura colonial portuguesa e precisamos preservar esse patrimônio”, afirma.
A escolha da Casa das Sete Mortes como sede da escola também carrega um significado histórico. A construção, datada do século XVII, preserva elementos e materiais antigos, incluindo estruturas e revestimentos que ajudam a contar parte da história arquitetônica de Salvador.
Segundo o coordenador-geral do projeto, Miguel Souza, o próprio imóvel funciona como uma espécie de laboratório para os estudantes, aproximando a formação da realidade dos edifícios históricos que precisam ser conservados na cidade.
Ele também ressalta a importância do primeiro curso oferecido pela unidade. A formação em pintura tradicional com pigmentos naturais recupera técnicas que foram utilizadas em construções antigas e que, ao longo do tempo, deixaram de ser praticadas por parte dos profissionais.
“O curso de pintura tradicional a partir de pigmentos naturais é muito importante porque qualifica os alunos para atuar na conservação e no restauro dos imóveis, que atualmente estão bastante degradados em Salvador. Esse é um ofício que acabou se perdendo e que estamos tentando restabelecer”, explica.
Casa das Sete Mortes guarda história marcada por crime e lendas no Pelourinho
Construída no século XVII, a Casa das Sete Mortes é um dos imóveis históricos que ajudam a contar a história de Salvador. Localizado no Pelourinho, o casarão foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1943 e preserva características de um dos períodos mais importantes da arquitetura da capital baiana.
O nome pelo qual o imóvel ficou conhecido está relacionado a um episódio ocorrido em 1755. Segundo registros históricos, sete pessoas teriam sido assassinadas dentro da casa. O crime, que teria permanecido sem autoria identificada, consta nos registros do Arquivo Público da Bahia.
A história atravessou gerações e, com o passar do tempo, também deu origem a diferentes lendas e relatos populares envolvendo o casarão. Por isso, a Casa das Sete Mortes se tornou um dos endereços mais curiosos e cercados de mistério do Centro Histórico de Salvador.
Andrea Velame nasceu com uma premissa: fazer a diferença. Desde nova, seu desejo era realizar, realizar grande, realizar o que muitos acham até impossível. À frente do tempo ela cursou Administração de Empresas e se especializou em Marketing. Sem medo, Andrea tem uma capacidade de se reinventar e se readequar às adversidades da vida e assim transitou por diversas áreas. Atuou como designer de interiores, foi lojista, restaurateur, teve indústria moveleira, fez desenvolvimento de produtos, até retornar para onde tudo começou: comunicação e marketing.