A Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos, transformou a Avenida Bonocô em uma verdadeira galeria de arte a céu aberto, através do projeto “Pilares da Cidade”. A intervenção urbana foi realizada em mais de 25 estruturas do metrô, com alturas entre 8 e 10 metros, e faz parte do processo de revitalização de uma das principais vias da capital baiana.

Com a iniciativa, os pilares do metrô passam a abrigar pinturas e painéis em grafite que dialogam com a memória, identidade e diversidade cultural de Salvador, com eixos temáticos definidos pela curadoria, como música, ancestralidade, diversidade, território e futuro. As intervenções destacam elementos da história e cultura soteropolitanas, valorizando diferentes gerações e comunidades. A iniciativa tem como proposta ressignificar a paisagem urbana por meio da arte, convertendo estruturas de concreto em suportes de expressão cultural.

Além das obras artísticas, a avenida teve seu canteiro central completamente requalificado, ganhou novas estruturas de esporte e lazer, espaços comerciais e paisagismo.

De acordo com o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, a arte urbana tem papel fundamental na transformação dos espaços públicos. “A arte urbana carrega uma urgência e tem o poder de surpreender. Ela encontra as pessoas no dia a dia e, em áreas marcadas pelo concreto, contribui para trazer mais cor, sensibilidade e humanização à cidade”, afirma.

O projeto reúne criações de artistas da cena urbana e contemporânea, entre eles Isabela Seifarth, Nila Carneiro, Jess Vieira, TarcioV, Éder Muniz, Cabuloso, Julia Zogbi, One Kbça, Alaído, Raiana Brito, Faraó, Thiago Tupinambá, Nativa, Ludmila Lima, Denissena e Samuca Santos.

O artista TarcioV explica o conceito de sua obra dentro do circuito: “Trago os pilares da cidade a partir da figura de uma mulher ganhadeira, mercante, mãe de família, que carrega também o futuro. Busquei tons pastéis e o amarelo para dialogar com o cinza do concreto e suavizar a paisagem. Em outro ponto, apresento o percussionista, reforçando Salvador como cidade da música, que canta e vibra. Há também referências às feiras livres, à capoeira e à vida nos bairros, conectando trabalho, arte e identidade.”

Segundo o artista, sua obra dialoga com o modernismo brasileiro, especialmente o baiano, e com a ideia de tornar a arte mais acessível. “Assim como a música, ela alcança as pessoas no cotidiano, sem barreiras, ocupando o espaço público de forma democrática”, completa TarcioV.