Um dos casarões históricos do Pelourinho, em Salvador, acaba de ganhar novos ares. Construído no século XVIII, o imóvel localizado no Largo do Pelourinho passou por um processo de restauração e foi apresentado como a nova sede da Casa da Ponte, organização sociocultural e educativa idealizada pelo maestro Ubiratan Marques.

Com três andares e 862 m² de área construída, o casarão agora abriga uma estrutura ampliada para projetos voltados à educação, formação musical e valorização da cultura afro-brasileira. Entre as iniciativas que passam a ocupar o espaço estão a Orquestra Afrosinfônica e o Núcleo Moderno de Música.

A cerimônia de inauguração reuniu convidados e personalidades da cultura baiana, entre eles Mateus Aleluia e Arany Santana. Durante a solenidade, também foi oficializada a Sala Mateus Aleluia, espaço equipado com estúdio que será utilizado pela Orquestra Afrosinfônica para ensaios, apresentações e gravações.

A homenagem reconhece a trajetória do cantor e compositor baiano que integrou os Tincoãs e se tornou uma das referências da música e da cultura afro-brasileira.

“A grande conquista desta restauração é exatamente poder fazer esse diálogo com a população, receber as pessoas dentro daquela casa. A beleza do projeto é essa”, afirma Ubiratan Marques.

Localizado em uma das áreas mais emblemáticas do Centro Histórico de Salvador, o imóvel fica em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e ao lado da Fundação Casa de Jorge Amado. Tombado pelo Iphan, o casarão teve suas características arquitetônicas preservadas durante o processo de restauração.

As obras incluíram a recuperação de esquadrias, forros, assoalhos e cobertura, além da instalação de novos sistemas hidráulico e elétrico e de adaptações para ampliar a acessibilidade do espaço.

A nova sede também ganhou ambientes destinados a diferentes atividades da Casa da Ponte, incluindo salas para aulas individuais e coletivas de música, reuniões, administração e atividades do corpo docente.

A arte também passou a fazer parte da arquitetura do espaço. As paredes do casarão foram transformadas em uma espécie de galeria, com fotografias que contam a trajetória da Casa da Ponte e intervenções artísticas de Rimon Guimarães.

As obras do artista foram inspiradas no universo afro-brasileiro e na produção musical da Orquestra Afrosinfônica, de Mateus Aleluia e de Gilberto Gil, reforçando a conexão entre o patrimônio histórico do Pelourinho, a música e a cultura negra.