O legado do cantor e compositor Moraes Moreira agora está eternizado na Praça Castro Alves — local onde o artista, por décadas, comandou e moldou o Carnaval de Salvador. Numa iniciativa da Prefeitura, o cartão-postal no Centro Histórico da cidade ganhou uma estátua do ícone baiano, falecido em 2020. A entrega da obra faz parte das comemorações pelos 40 anos da Fundação Gregório de Mattos, entidade municipal responsável pela política cultural da capital baiana.
Através de uma poesia, o músico Davi Moraes expressou a sua emoção com a homenagem ao pai. Nos versos, ele cita nomes, blocos, terreiros e sons que marcaram a trajetória de Moraes e também a própria formação artística.
“Eletrizou o Afoxé / Boca de alto-falante / Na alma dos Filhos de Gandhy, no Terreiro de Jesus / Das seis cordas, o aço / Me fiz forte no abraço / Da guitarra, uma cruz / Nada foi por acaso / Em outro plano me via / Ano a ano juntando / Os novos Afros Baianos e a magia / E a magia era o som da alegria”, diz Davi em um dos trechos.
FGM 40 anos – O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, afirmou que a comemoração pelos 40 anos da instituição representa a construção gradual de uma política cultural para Salvador ao longo de quatro décadas.
“São quatro décadas de um trabalho construído passo a passo, no sentido de estruturar uma política cultural para a cidade de Salvador. A comemoração homenageia gestores, artistas e equipes, mas também traz uma leitura voltada para o futuro: a cultura, a gestão cultural, não pode parar nunca”, comentou.
Fernando Guerreiro lembrou ainda que Moraes Moreira é uma das figuras mais importantes da música popular brasileira e que a estátua representa mais do que uma lembrança, sendo também um reconhecimento e uma apropriação simbólica do espaço que ele ajudou a transformar.
“Foi ali que ele consolidou a Praça Castro Alves como um dos grandes palcos do Carnaval, tornando-se um dos principais responsáveis por fortalecer a tradição musical ligada ao local. Nada mais justo, portanto, do que realizar essa homenagem justamente na praça, onde ele passa a ser, de forma simbólica, quase como o ‘síndico’ do espaço”, completou o presidente da FGM.
O legado – A escultura de Moraes Moreira, esculpida pelo artista plástico Roberto Manga, foi instalada em frente ao Hotel Fasano Salvador. A relação do homenageado com a Praça Castro Alves se deve ao fato de o local ser considerado um dos pontos mais simbólicos do Carnaval da capital baiana. Foi ali que o artista, primeiro cantor a se apresentar em cima de um trio elétrico, participou de inúmeros carnavais, promovendo encontros e ajudando a fortalecer a tradição musical ligada ao espaço.
Natural da cidade de Ituaçu, no sudoeste baiano, e batizado pelos pais como Antônio Carlos Moraes Pires, Moraes Moreira deu os primeiros passos na música aos 19 anos, quando, já em Salvador, ingressou no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia. Na instituição de ensino, conheceu outros grandes artistas, como Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, e, juntos, criaram, na década de 1970, o grupo Novos Baianos, responsável por grandes sucessos como “Mistério do Planeta” e “A Menina Dança”.
Ao lado de Dodô e Osmar, em 1976, já em carreira solo, foi o primeiro cantor a se apresentar em um trio elétrico. Nesse período surgiram sucessos como “Vassourinha Elétrica” e “Pombo Correio”. Moraes morreu em abril de 2020, aos 72 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro, após sofrer um infarto agudo do miocárdio.
Andrea Velame nasceu com uma premissa: fazer a diferença. Desde nova, seu desejo era realizar, realizar grande, realizar o que muitos acham até impossível. À frente do tempo ela cursou Administração de Empresas e se especializou em Marketing. Sem medo, Andrea tem uma capacidade de se reinventar e se readequar às adversidades da vida e assim transitou por diversas áreas. Atuou como designer de interiores, foi lojista, restaurateur, teve indústria moveleira, fez desenvolvimento de produtos, até retornar para onde tudo começou: comunicação e marketing.